segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Dados preocupantes para nosso mundo globalizado."

 O texto à seguir, foi publicado hoje na Folha de São Paulo.
 Confiram.






Cresce número de jovens que priorizam o trabalho
Mais pessoas entre 18 e 22 anos têm deixado estudos de lado, mostra PNAD
Economia aquecida pode ter contribuído para decisão de buscar emprego antes de pensar na faculdade
ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO
Leticia Moreira/Folhapress
Vinicius Lima, 19, que trabalha no HSBC
Vinicius Lima, 19, que trabalha no HSBC
Uma parcela cada vez maior de jovens entre 18 e 22 anos tem engavetado ou abandonado os planos de estudo para apenas trabalhar.
Entre os homens dessa faixa etária, mais da metade já se dedica exclusivamente ao trabalho -o percentual aumentou de 46,8% em 2001 para 51,1% em 2009. Já as mulheres que só trabalham representavam 31% do total em 2009 contra 27,5% em 2001.
Os dados são da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e foram levantados pelo economista Naercio Menezes Filho, do Insper.
Segundo especialistas, o fato de que mais jovens têm conseguido terminar a escola com a idade de 17 anos ajuda a explicar essa tendência. A fatia de alunos "atrasados" cursando o ensino médio caiu de 52,2% do total em 1992 para 32,9% em 2009.
"Se o jovem tem 18, 19 anos e ainda está no ensino médio pode ter de adiar os planos de trabalhar ou acabar conciliando estudo e trabalho", diz Menezes Filho.
ECONOMIA AQUECIDA
O crescimento mais acelerado da economia brasileira nos últimos anos pode estar contribuindo para a decisão dos jovens de ir direto da escola para o mercado de trabalho, pulando -ainda que temporariamente- a etapa da faculdade.
O contexto de maiores oportunidades de negócios foi, por exemplo, um dos fatores que levaram Filipe Travassos da Silva, 22, a assumir o negócio de terraplenagem do pai, que queria se aposentar. Ele tinha feito um curso de tecnólogo em informática.
"Eu sempre quis me tornar independente, ter meu próprio dinheiro", diz Silva, que considera fazer um curso curto de empreendedorismo, mas não cursar faculdade.
Há casos, no entanto, de jovens que não estão no ensino superior por falta de dinheiro.
"Eu queria fazer publicidade, mas não tinha dinheiro para pagar ", afirma Vinicius Sampaio Lima, 19.
Lima, que terminou o ensino médio com 18 anos e está trabalhando na área de expedição do HSBC, não tentou entrar em uma universidade pública. Ele espera conseguir juntar dinheiro para pagar um curso de fotografia.
Rodrigo Capelato, diretor do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo), afirma que, com a expansão da classe média e o aumento de vagas em faculdades privadas, a procura por cursos até aumentou.
"Mas uma fatia grande de alunos acaba trancando o curso porque não consegue pagar a mensalidade ou porque escolhe o curso que pode pagar, mas não se identifica com o mesmo", diz ele.
Yasmin Hussein Chamas, 19, diz que tem vontade de estudar psicologia, mas ouve dizer que "não dá grana". Ela trabalha em uma empresa de telemarketing.
PREOCUPAÇÃO
O afastamento entre os jovens e o ensino superior preocupa especialistas. O problema é agravado pelo fato de que também tem aumentado o percentual de jovens de 18 a 22 anos que não está nem estudando nem trabalhando.
"Os dados são assustadores. Essa é a faixa onde as pessoas estão em seu curso universitário. E as empresas buscam pessoas cada vez mais bem formadas", diz José Tolovi Jr., CEO global da organização Great Place to Work.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Discurso Indireto: "Estudo mostra que 10% dos professores brasileiros...

Discurso Indireto: "Estudo mostra que 10% dos professores brasileiros...: A divulgação da pesquisa à seguir, é matéria da Folha de São de Paulo de hoje, 07 de novembro. Muito interessante e mostra a realidade da no...

"Estudo mostra que 10% dos professores brasileiros fazem 'bico'. Confiram!"

A divulgação da pesquisa à seguir, é matéria da Folha de São de Paulo de hoje, 07 de novembro. Muito interessante e mostra a realidade da nossa classe em todo território nacional.







10% dos professores no país fazem 'bico'

Docentes procuram uma segunda ocupação mais do que padeiros, corretores de imóveis e PMs, segundo estudo

Para especialistas, média salarial não é única explicação para impulsionar o professor à dupla função

Semanalmente, a professora de ciências Sonia Maria de Barros Cardoso, 52, leciona 32 horas em duas escolas públicas no Rio. Seu salário é de R$ 1.800.
Para complementar, vende cosméticos, o que lhe rende R$ 1.000 mensais em oito horas semanais. "Em datas comemorativas, chega a ficar igual ao que ganho no magistério", afirma a docente.
Como Sonia, outros 266 mil professores da educação básica do país possuem uma segunda ocupação fora do ensino, um "bico", aponta estudo apresentado no mês passado pelos pesquisadores da USP Thiago Alves e José Marcelino de Rezende Pinto.
O número representa 10,5% do magistério nacional, índice bem acima do da população brasileira (3,5% têm uma segunda ocupação). O estudo usa a Pnad-IBGE e o Censo Escolar-MEC, ambos de 2009, e abrange as redes privada e pública.
Alguns dos mais frequentes "bicos" dos docentes são os de vendedores em lojas e os de funcionários em serviços de embelezamento.
Segundo a pesquisa da USP, os professores recorrem mais à segunda ocupação do que os padeiros, os corretores de imóveis e os PMs.

POLÊMICA SALARIAL
Para os autores do estudo, a maior incidência do "bico" entre os professores está relacionada aos baixos salários.
A média salarial dos docentes do ensino fundamental, segundo a pesquisa (entre R$ 1.454 e R$ 1.603 à época), é inferior ao que ganham, em média, corretores de seguro (R$ 1.997) e caixas de bancos (R$ 1.709).
"O professor, com isso, é obrigado a despender energia em ações que não têm a ver com aulas", diz Alves.
Para alguns especialistas, no entanto, a questão não é tão simples.
"Os salários não são uma maravilha, mas, se comparados à média da população, os professores não estão morrendo de fome", afirma Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade.
"Sempre que há concurso para contratação de professores para as redes públicas há uma grande concorrência. Se a profissão fosse tão ruim, não haveria fila", diz Samuel Pessoa, da FGV.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Discurso Indireto: "Novas tecnologias, métodos antigos..."

Discurso Indireto: "Novas tecnologias, métodos antigos...": Por que preparar o educador para aproveitar a tecnologia com toda sua ...

"Novas tecnologias, métodos antigos..."

                   Por que preparar o educador para aproveitar a tecnologia 
                                            com toda sua potencialidade pedagógica?

Todos os dias, os avanços tecnológicos se apresentam na forma de novos recursos e ferramentas mais complexas e poderosas, a fim de que as tarefas do dia a dia sejam cada vez mais ágeis. Essas tecnologias permeiam as atividades cotidianas e alteram a cultura social, os relacionamentos e também a maneira de aprender e ensinar. Porém, as escolas não devem se sentir influenciadas, principalmente pelos meios de comunicação, a ponto de adquirir esses artefatos apenas para serem consideradas modernas. Os recursos tecnológicos disponíveis não podem servir somente para animar uma educação cansada, Eles devem dar um sentido a mais no processo de ensino-aprendizagem. De nada adianta, por exemplo, uma escola possuir um parque computacional invejável, se os professores não estiveram capacitados a transformar a tecnologia em instrumento educacional.

Segundo o filósofo e educador Masrhall Mcluhan, "as novas tecnologias são sempre utilizadas para fazer um trabalho velho, isto é, até que alguma força direcionadora faça com que elas sejam utilizadas de novas maneiras". Para não cometermos os mesmos erros do passado, precisamos de bom-senso no uso de novas tecnologias na educação. Do contrário, o recurso servirá apenas para acomodar o professor e tornar suas aulas cansativas, exatamente como aconteceu com o surgimento do videocassete e do retroprojetor, por exemplo.

Um artigo de Claudio de Moura Castro, publicado na revista Veja de 11 de agosto de 2010, alerta para o péssimo uso do PowerPoint em sala de aula. Intitulado "PowerPoint com carteirinha", o texto apresenta exemplos de situações em que "o slide arruína a aula, arrancando-a do professor e deixando desgovernada a atenção da plateia. Por isso surge a reação de muitos alunos: lá vem um PowerPoint chatíssimo! Ao final, o autor sugere ironicamente a exigência de uma carteira de habilitação para usar o PowerPoint, "para evitar que barbeiragens ponham a perder o potencial educativo de um recurso de um recurso tão extraordinário."

Por isso, cuidado! Atualmente muitas escolas adquirem a lousa eletrônica por seu status de modernidade, mas a utilizam de forma tradicional. Esquecem que o importante é a potencialidade de interação e simulação, e que a lousa precisa de conteúdos pertinentes a seu uso e não apenas de fotos bonitas e encantadoras. Busquemos atividades que permitam explorar ao máximo essa tecnologia. Assim estaremos melhorando o processo de ensino-aprendizagem com um recurso realmente criativo e inovador.

Para que a tecnologia faça parte parte da vida das pessoas, necessitamos, de fato de uma mudança cultural. No livro "Geração Digital" Tapscott afirma que as crianças realmente têm mais facilidade com novas tecnologias do que seus pais. Logo, é verdadeira aquela impressão de que nossos filhos assimilam as novidades mais rapidamente do que nós. Os adultos precisam adaptar-se a um processo de aprendizado diferente e bem mais difícil, enquanto as crianças já nascem com a tecnologia assimilada ao dia a dia. Para elas, a nova ferramenta é apenas mais uma parte de seu ambiente e usá-la é tão natural quanto respirar. Para as crianças, tudo funciona da maneira como funciona. O aprendizado é uma descoberta, não uma acomodação a estruturas existentes.

É inegável que o ritmo acelerado das inovações tecnológicas, assimiladas tão facilmente pelos alunos, exige uma educação igualmente capaz de estimular o interesse deles pela aprendizagem, por novos conhecimentos e técnicas. Interesse que precisará ser mantido ao longo da vida profissional, que certamente estará cada vez mais sujeita ao impacto de novas tecnologias. Por isso, há necessidade de pensar e de revolucionar a escola sobre bases totalmente novas. Repensar de que maneira é possível apropriar-se socialmente das novas tecnologias , incorporando as constantes mudanças.Essa nova escola deve trabalhar com uma multiplicidade de visões de mundo. Ela tem que exercitar a imaginação no lugar da razão. Devemos formar um ser humano criativo, que produza novas ideias, e não um ser humano passivo, mecanizado, que só absorve a informação sem gerar o conhecimento. As instituições educacionais precisam atualizar o modelo de ensino-aprendizagem a fim de atender às demandas dos estudantes. Mas o simples uso das ferramentas tecnológicas de nada adiantará. Elas podem sim potencializar a educação, mas somente se a escola estiver envolvida em um processo de atualização da metodologia de ensino.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Empreender um futuro melhor."

Empreendedorismo é uma atitude voltada a um compromisso com a excelência, um valor que uma pessoa elege em cada atitude sua, válido para todas as carreiras do mercado de trabalho. Por isso, empreendedorismo é ensinado, sim, em escolas, com grande impacto no preparo do projeto de vida dos alunos. e a postura do professor para fazê-lo é um ponto fundamental ao sucesso desse processo.

Em pequenos detalhes essa postura se revela, por exemplo, quando um professor valoriza um caderno organizado. Ou, em uma observação mais ampla, quando valoriza uma boa sociabilidade entre os estudantes. E ainda na forma como se apresenta à classe, desde sua aparência até seus valores. Em tudo se revela uma atitude empreendedora ou não.

Uma questão se faz fundamental antes de se pensar na prática da docência: quem é o professor na vida de um aluno? Ele é o primeiro adulto que traz uma referência que não é a da família para uma criança ou um adolescente. Ao pensarmos em um processo de amadurecimento na formação da personalidade, do caráter e até da identidade de uma criança, é a partir do convívio com o professor que ela cria um ideal de ser e as referências do mundo adulto.E pode criar tanto gostos quando desgostos.

Assim, o educador tem um papel central na formação das crenças que uma criança vai ter na sua vida. Depois dos pais, os professores são a principal autoridade moral, intelectual, educacional e ética, na qual crianças e adolescentes baseiam seus comportamentos e criam seus conceitos.

A influência do professor na formação do projeto de vida acontece de diversas maneiras. A primeira delas está ainda no campo afetivo e se vê na representação de seu próprio papel como adulto. A pessoa que está dando aulas é calma, animada, justa, coerente e amorosa? Ou é agressiva, intolerante, mal-humorada e injusta? Essas representações simbólicas dão para a criança a ideia de que crescer e/ou conviver é bom ou não. Parte dos adolescentes que não consegue amadurecer viu em seus pais e educadores a postura de que o mundo adulto é castrador, difícil e ruim. E ainda hoje há muitos pais que, na mesa de jantar ou durante o almoço, chegam e dizem  "ai que dia difícil", "aproveitem enquanto são crianças", mostrando aos filhos que ser adulto é ruim. Da mesma forma, professores falam da sua própria condição como algo negativo, o que gera a mesma frustração.

A segunda dimensão da influência é sobre ter atitudes empreendedoras ou não. O professor, à medida que tem uma lousa bonita ou se utiliza de datashow com apresentação motivadora e bem preparada , que tem aula animada e se veste adequadamente, está mostrando um amor à sua profissão que não só atrai os alunos e ajuda a construir crenças positivas à sua carreira, como também estimula o crescimento e o esmero como que se faz. Uma aula com bom manejo da sala leva aos estudantes a ideia de que o mundo adulto e o trabalho são coisas positivas, Por outro lado, uma aula qualquer, sem empenho nem ânimo, inspira o mau desempenho da classe. Essa associação negativa, muitas vezes, já foi vista pelo aluno antes mesmo de entrar na escola, no momento em que o pai lhe disse que não pode brincar com ele porque "tem de trabalhar".

Um dos grandes desafios dos educadores é conciliar o afeto e a firmeza, que não são excludentes. Vemos isso no próprio corpo humano, Estamos estruturados em ossos duros, mas somos flexíveis em juntas para possibilitar movimentos e adaptações. O professor tem de ter essa flexibilidade, trabalhar com metas e valorizar os que não se empenham tanto, afinal a flor mais bela do jardim não é a que se abre primeiro. Alguns alunos com dificuldade na escola se saem bem na vida, que sabemos, não é uma linha reta. Portanto não se pode desprezar uma pessoa em sua formação.

A formação de um professor deveria conter habilidades e competências como carisma, liderança, criatividade, manejo de humor, negociação, para uma boa mediação docente, que não está nos currículos das faculdades de educação. Perpetua-se, então, uma ideia de que saber Matemática é suficiente para ser professor de Matemática, o que não faz sentido.

É preciso pensar na referência que o próprio professor tem de quando ele era aluno. Acontece que hoje os estudantes convivem com mais tecnologia, mídias sociais, interagem e escolhem mais. E a educação não pode alienar-se à vida, precisa, sim, fazer parte dela. O educador hoje não detém mais a informação, ela está no Google e em outros buscadores virtuais, além de poder ser acessada em segundos. A questão é o que fazer com a informação e eis o desafio colocado a nós, educadores. Como vamos criar um contexto de que o que ensinamos tem um significado para a vida do aluno?

Para esse desafio, é preciso desfazer-se de um preconceito muito presente na mídia, inclusive entre professores, de que o jovem é em geral desinteressado. Essa ideia é errada e pode ser derrubada em números, como uma pesquisa realizada com 28 mil jovens em 18 países pela Viacom, conglomerado de mídia que opera canais de TV por assinatura. No Brasil, essa pesquisa aponta que 80% deles querem ter sucesso profissional, formar uma família, ser bom pai ou boa mãe, ser um parceiro carinhoso e cuidar dos pais. Um passeio por blogs de adolescentes nos mostra perfeitamente essa realidade.

Existe, portanto, uma demanda por uma melhor qualidade educacional. Em âmbito federal, estadual e municipal é preciso investir mais na qualificação do educador, desenvolver suas habilidades, técnicas e inter-pessoais, proporcionar qualidade de vida em seu próprio espaço de convivência e em parceria com as famílias. De nada adianta pensar somente em números; haja "provas" para nossos alunos fazerem; é: Prova Brasil, SAEGO, Diagnóstica (no caso de Goiás), PASP, índice do IDEB, etc. Na pesquisa que um colega realizou para sua dissertação de mestrado, sobre a participação dos pais na educação dos filhos, foram  encontrados uma série de indicadores de que quando pais e escolas trabalham em parceria, aumenta-se o QI do aluno, diminuem os comportamentos autodestrutivos e melhora-se a autoestima. Nesse contexto, vale a pena "importar" modelos de educação oriundos de países que possuem realidade completamente diferente da nossa? (isso é o que nosso estado está fazendo na atualidade).

Aos professores, trabalhar com essa demanda por qualidade significa ter visão realmente voltada à diversidade, com inclusão e repeito mútuo, informar sem opinar nem interferir na vida do aluno, entender a transversalidade de empreendedorismo na escola e ter em mente que não faz mais sentido pensar em uma profissão pelo resto da vida. Grandes personagens do conhecimento da História, como Alberte Einstein, Leonardo da Vinci e Isaac Newton, eram multiprofissionais. O professor pode, assim, fomentar trabalhos e pesquisas que façam os alunos entenderam que empreendedorismo não se limita a abrir um negócio, mas ter uma postura para trabalhar, criar, construir e ser feliz.

é preciso inspirar o jovem a oferecer o melhor de si ao mundo por meio do trabalho, seja no desenvolvimento de um projeto, seja na execução dele. A profissão de cada um de nós é um compromisso ético que assumimos e, nesse sentido, empreender é uma atitude eticamente desejável. Etimologicamente, empreender significa prender com as mãos. Está lançado, pois, o grande desafio: segurar firme a oportunidade de fazer um futuro melhor.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

" Redes sociais - comportamento, maturidade e oportunidade na escola."

Há quatro meses atrás, participei de um seminário cujo tema foi "a nova realidade tem voz" produzido por uma renomada universidade   de nosso país.  O evento reuniu educadores, políticos, publicitários, administradores, jornalistas, blogueiros, entre outros, para discutir para discutir o impacto das redes sociais no comportamento de pessoas e empresas. 
E, vendo que o grande embate em nossas escolas hoje é a questão do uso de celulares pelos nossos alunos, lanço aqui o que presenciei no referido seminário e lanço também, indagações a respeito do assunto no ambiente educacional.
Aparentemente, ainda há muita especulação, dúvidas e questionamentos sobre como se aproveitar das redes sociais para usos efetivos em publicidade, comunicação, campanhas políticas, divulgação de eventos, comércio, etc. Portanto, devemos permitir também muitas dúvidas no que tange ao papel dessas redes nos processos educacionais.
Duas verdades aparecem de forma muito cristalina ao analisarmos todo esse contexto e me permito aqui compartilhá-las:

1 - Novo comportamento digital

É capital a compreensão, por parte dos educadores, do poder de mobilização que os computadores exercem sobre toda uma geração (arrisco dizer que todos abaixo dos 30 anos). Essa geração, quando está na frente de um computador, é capaz de entreter-se sem limite, de forma compulsiva, independente do local onde esteja. Além disso, parece capaz de manter a atenção voltada a tudo que acontece a sua volta enquanto "navega" freneticamente. No seminário havia centenas desses jovens, em sua maioria analistas ou gerentes da área de comunicação ou marketing de grandes empresas. Eles assistiam às palestras enquanto navegavam, clicavam, comunicavam-se, "twitavam", mandavam e-mails, trabalhavam, tudo ao mesmo tempo, numa digitação frenética, e com a maior naturalidade. Era como se a conversa no palco fosse música de fundo, tema para trabalhar ou se comunicar. 
Se alguém já visitou a Campus Party, mega encontro de internautas anualmente realizado na cidade de São Paulo, veria esse comportamento ainda mais potencializado. Insano ou real, produtivo ou superficial, difícil julgar, mas o processo cultural parece bem maduro. Tenho amigos, profissionais maduros, capazes de produzir uma dezena de posts diários no twitter, retroalimentando toda uma cadeia de outros profissionais com pitadas de conhecimento, humor e cultura. Fazem isso naturalmente, diariamente, cotidianamente, enquanto continuam tocando suas vidas (e trabalham, têm filhos, esposas, maridos, cachorros,...). Escrevem quando assistem ao jogo de seu time , quando chegam do cinema, quando estão no restaurante, quando acabam de ler um livro interessante... Será que esse comportamento é mesmo inexorável, ou seja, se instalará em todos nós?
Se fizermos um corte rápido para nossos cenários escolares, veremos nossos adolescentes diante da mesma compulsão - eles podem ficar horas sentados, manipulando ao mesmo tempo dois ou três desses equipamentos de publicação, comunicação e entretenimento e ainda manter um olho no que vem da tv ou do mundo analógico. E ainda continuam conversando com amigos que acabaram de ver, com os que estão ao seu lado e com outras pessoas que nunca viram. Se os deixarmos livres como seus celulares na sala de aula, são capazes de navegar e conversar por baixo das carteiras enquanto nos degladiamos, buscando capturar sua atenção.
Será que devemos acreditar que eles podem produzir mais se liberados a fluírem em suas formas naturais de comunicação, ou seja, se os deixarmos utilizar livremente seus instrumentos de comunicação? Conseguiremos cooptá-los, planejando colocar seus brinquedinhos a serviço dos nossos objetivos curriculares? Poderia ser um estratégia didática utilizarmos os celulares para projetos em sala de aula, oficializando assim esse instrumento tão versátil, ou será melhor banirmo-los das salas de aula? Qual nosso papel diante desse enorme desafio? Como conscientizar nossos futuros cidadãos a se apropriarem de forma equilibrada dessas tecnologias?

2 - O poder do indivíduo, do cidadão

Outra constatação importante que fiz nesse seminário, foi a de que as redes socais dão poder (empowerment) ao cidadão comum, ou seja, dão-lhes vez e voz. Um exemplo desse fato, foi por ocasião da Copa do Mundo passada, quando um cidadão pode mandar o Galvão Bueno "calar a boca" (ele ouviu e reagiu). Um outro exemplo mais próximo do que me refiro, foi quando o prefeito de Goiânia, ficou sabendo via rede social, que uma empresa de telefonia estava realizando uma obra irregular em área imprópria. Ele ouviu e também reagiu, embargando a obra e multando a referida empresa. As empresas tem hoje, nas redes, possibilidades de ouvir seus clientes e não clientes numa escala e com uma agilidade nunca antes possível. Esses clientes estarão formando opinião para a produção e readequação de produtos e serviços numa dinâmica inédita no processo de produção. 
Uma opinião mal dada, um erro de ortografia, um equivoco menor pode levar hoje uma celebridade à lona em algumas horas. O consumidor/espectador finalmente fala e é ouvido. E isso amadurece rápido, tanto que empresas, agências de publicidade, veículos de mídia, políticos, entre outros, debruçam-se sobre esse fenômeno para capturar mais e melhores resultados. 
O indivíduo que tem uma boa ideia, hoje pode empreender e transformá-la num negócio com pouca intermediação. Nunca tivemos acesso aos meios de produção e comercialização de maneira tão simples e direta.

E nós, na escola, o que podemos tirar disso tudo? Como isso impacta nossos resultados? Vamos primeiro analisar o aluno e seu novo poder (sua voz sendo ouvida). Ele pode querer escolher mais e melhor o que consumir em seu cardápio curricular. Ele pedirá uma política mais abrangente, na qual seus interesses serão ouvidos e atendidos. Estamos preparados para esse currículo plural? Nossos currículos vão dar conta desse desafio? Vamos ter de ser muito mais significativos para o aluno do que somos. 
Vamos olhar agora para o professor empreendedor. Devemos usar computadores e celulares em nossas atividades curriculares? Até onde o professor deve ir para acompanhar as transformações tecnológicas?

Considerem essas indagações como provocação para uma reflexão profunda e de longo alcance sobre os desígnios do processo educacional formal, em busca de uma escola que responda as necessidades de uma sociedade em transformação.