Discurso Indireto
segunda-feira, 29 de junho de 2026
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Curiosidade, Fofoca e Relações
Sociais
O Motor da Curiosidade: Por
que queremos saber?
A mente humana é programada
para buscar padrões e preencher lacunas de informação. A curiosidade não é
apenas o desejo de aprender algo novo, mas uma ferramenta de sobrevivência e
adaptação. Redução de incerteza: Saber o que está acontecendo ao nosso redor
nos faz sentir seguros e no controle.
Conexão Social: Compartilhar
uma descoberta ou um segredo cria um vínculo imediato de confiança entre quem
fala e quem ouve.
Aprendizado Indireto: Observar
os erros e sucessos dos outros (através do relato alheio) nos ensina normas
sociais sem que precisemos passar pela experiência pessoalmente.
O Poder da Fofoca como "Cimento Social"
O antropólogo Robin Dunbar
sugere que a fofoca é para os humanos o que a cata de piolhos é para os
primatas: uma forma de manutenção de laços. No meio social, ela exerce papéis
fundamentais, ainda que invisíveis:
1. Estabelecimento de Normas: A fofoca serve como um tribunal
informal. Quando criticamos o comportamento de alguém em um grupo, estamos
reforçando silenciosamente quais são os valores e as regras daquela comunidade.
"Você viu o que fulano fez?" é, muitas vezes, um código para
"Nós não agimos dessa maneira aqui".
2. Gestão de Reputação: Em uma sociedade complexa, não conseguimos
interagir com todos o tempo todo. A fofoca funciona como um sistema de
avaliação de risco. Ela nos ajuda a saber em quem confiar e de quem se afastar,
baseando-se no histórico relatado por terceiros.
3. Hierarquia e Influência
Informação é poder. No
ambiente de trabalho ou em círculos de amizade, quem detém a informação
privilegiada acaba exercendo uma liderança informal. A fofoca pode elevar o
status de alguém ou, em seu lado mais sombrio, destruir reputações em questão
de minutos.
O Lado Sombrio: O Perigo do Telefone Sem Fio
Apesar de sua utilidade
antropológica, a fofoca tem um potencial destrutivo imenso. A curiosidade
desenfreada pode levar à invasão de privacidade e à disseminação de fake news
pessoais.
"A fofoca é como uma
pluma lançada ao vento: uma vez solta, é impossível recolhê-la
totalmente."
Quando a curiosidade perde a
empatia, a fofoca deixa de ser um mecanismo de coesão para se tornar uma
ferramenta de exclusão e bullying. O desafio moderno é equilibrar o nosso
interesse natural pela vida coletiva com o respeito à integridade do outro.
A curiosidade sempre será o
combustível das nossas conversas, e a fofoca continuará sendo o "eco"
das nossas interações sociais. Entender esse poder é o primeiro passo para
usá-lo com mais consciência e menos julgamento.
1. A Perspectiva Foucaultiana: A Fofoca como Tecnologia de Vigilância: Michel
Foucault, em suas obras sobre o poder e a vigilância, descreve como as
sociedades modernas passaram do suplício público para a disciplina. A fofoca,
sob esta ótica, é uma das formas mais sofisticadas de Micro-Poder.
O Panoptismo Vernacular:
Enquanto o Panóptico de Bentham é uma estrutura física, a fofoca cria um
"panóptico imaterial". Sabendo que a curiosidade alheia é constante,
os indivíduos passam a exercer a autovigilância. Nós nos comportamos não apenas
porque existem leis, mas porque tememos o julgamento e o
"disse-me-disse" do corpo social.
O Exame Permanente: A fofoca
funciona como um processo de "exame" clínico constante sobre a vida
privada. Ela transforma o comportamento íntimo em um discurso público,
permitindo que a sociedade classifique os indivíduos como "normais"
ou "desviantes".
Poder-Saber: Para Foucault,
saber é poder. A fofoca é a democratização (ou a vulgarização) do serviço de
inteligência. Quem fofoca está, na verdade, exercendo uma técnica de
governamentalidade sobre a conduta do outro.
2. A Neurobiologia do "Leva-e-traz": O Circuito da Dopamina
Se a filosofia explica o
propósito social, a neurociência explica por que é tão difícil resistir a uma
informação "quente". O cérebro humano trata a fofoca como uma
recompensa primária.
O Sistema de Recompensa
(Mesolímbico): Estudos de ressonância magnética funcional mostram que, ao
recebermos uma fofoca — especialmente sobre alguém de status elevado ou um
rival — o núcleo accumbens é ativado. Há uma descarga de dopamina, o
neurotransmissor do prazer e da antecipação.
O Alívio da Ocitocina: Quando
compartilhamos um segredo com alguém, os níveis de ocitocina (o hormônio do
vínculo) aumentam. Isso cria uma sensação de segurança e pertencimento. A
fofoca "une" o emissor e o receptor contra o objeto da fofoca.
Redução do Cortisol:
Curiosamente, ouvir uma fofoca sobre um comportamento antissocial de terceiros
pode reduzir os níveis de estresse (cortisol) do grupo, pois serve como uma
forma de "limpeza" ou reafirmação de que o grupo está seguro contra
aquela ameaça.
3. A Teoria dos Jogos e o Custo da Reputação: Na economia
comportamental e na teoria dos jogos, a fofoca é analisada como um mecanismo de
baixo custo para a cooperação.
Manter um sistema policial
para vigiar cada transação humana seria caro e ineficiente. A curiosidade e a
fofoca subsequente funcionam como um "imposto de reputação". Se um
indivíduo quebra um contrato social (traição, roubo, mentira), a fofoca garante
que o custo dessa ação seja a morte social ou o ostracismo, sem que o grupo
precise usar a força física.
Entretanto, surge o paradoxo do
"Fofoqueiro Não Confiável": No equilíbrio de Nash, um grupo que
aceita qualquer fofoca sem verificar a fonte torna-se vulnerável a
manipuladores. Por isso, a evolução também desenvolveu um filtro de
curiosidade: nós somos programados para desconfiar de quem fofoca demais,
transformando o próprio fofoqueiro em objeto de fofoca (o monitorado torna-se o
monitor).
Conclusão Sintética: A curiosidade é a nossa sonda ontológica —
nossa forma de mapear o mundo. A fofoca é o processamento desses dados. Juntas,
elas formam um sistema complexo onde:
A Biologia nos recompensa pelo
acesso à informação.
A Sociologia usa essa
informação para manter a ordem.
A Ética tenta impedir que esse
sistema se torne uma arma de destruição da individualidade.
Estamos presos em uma teia de
narrativas onde observar e ser observado são as duas faces da mesma moeda
social. A questão não é o fim da fofoca — o que seria impossível dado o nosso
hardware biológico — mas a transição da fofoca degradante (que destrói o outro)
para a fofoca normativa (que protege os valores do grupo).
sábado, 5 de julho de 2025
🚨 PLATAFORMAS DIGITAIS NÃO FUNCIONAM!
Um estudo da Repu (Rede Escola Pública e Universidade) mostrou o que todos nós já sabíamos na prática: o uso das plataformas digitais não melhorou o desempenho das escolas estaduais. Nem mesmo nas escolas que bateram as metas impostas pelo governo!
Enquanto isso, os professores seguem sendo obrigados a usar mais de 30 plataformas diferentes, com metas surreais a cada bimestre. Um verdadeiro massacre pedagógico!
Tudo isso pra quê? Pra alimentar um projeto falido e justificar contratos milionários com empresas privadas. A verdade é simples: as plataformas não melhoram a educação, só enriquecem empresários.
O Coletivo Educação em 1º Lugar já acionou o MP e o TCE para exigir uma auditoria nas contas da Seduc. Já foram quase R$ 500 milhões gastos com essas plataformas!
✊🏽 Educação não é mercadoria! Basta de plataformas!
quinta-feira, 27 de junho de 2024
Um novo estudo revisou pesquisas de neuroimagem sobre o
vício em internet em adolescentes, revelando interrupções na sinalização
cerebral em redes neurais críticas. Essas perturbações afetam a atenção, a
memória, a coordenação e o processamento emocional, impactando a saúde mental.
Fonte: Chang MLY, Lee IO (2024) Functional connectivity
changes in the brain of adolescents with internet addiction: A systematic
literature review of imaging studies. PLOS Ment Health 1(1): e0000022.
Por mais que o atual momento sociocultural tecnológico se
revele complexo, não conseguiremos interrompê-lo e voltar no tempo para usarmos
somente luz de velas, tefones fixos, cartas, fotos com filme, etc.
É de extrema alienação e ausência de uma compreensão
complexa sobre indivíduo, contexto interacional e social, propor o apagamento
da realidade em busca do que não se pode mais viver como outrora, na infância e
adolescência.
Fiquemos atentos aos saudosismo analógicos e ao invés de propor proibições, silenciamentos e
apagamentos, sejam mais lúcidos e coerentes promovendo a consciência plena
sobre nossos desafios contemporâneos.
Ninguém vence uma batalha sem conhecer o
"adversário"! Que na batalha pela consciência e prevenção sobre o uso
saudável dos smartphones, sejamos intelectuais e não meros reprodutores de
"receitas" mirabolantes.
quarta-feira, 19 de junho de 2024
O transtorno provocado pelas redes sociais que tem crescido entre jovens.
A globalização trouxe muitos
marcos significativos: estamos mais próximos em vários aspectos. Mas a
sobrecarga de informações nas plataformas, por outro lado, é avassaladora.
Elas circulam mais do que podemos
absorver, além da internet ser um lugar onde são exibidas as vidas felizes,
como um suposto modelo em total plenitude.
A ideia de eficiência saiu da
terminologia do trabalho para assumir o controle de toda a nossa vida. Agora, o
fim de semana também precisa adotá-la.
As crianças têm dezenas de
atividades extracurriculares e sempre há mais uma para descobrir, como aquela
que outra criança da classe faz e, por isso, deveríamos inscrever nosso filho.
O dia, portanto, acaba sendo uma
maratona diária, por conta de uma síndrome que começou a ser discutida em 2004,
popularizou-se em 2010 e foi incorporada ao dicionário em 2013. Trata-se do
FOMO (fear of missing out, em inglês), traduzido como o medo de perder algo.
Com o surgimento dessa síndrome,
os cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, a definiram como “a
apreensão generalizada de que outros possam estar tendo experiências
gratificantes das quais um está ausente”. É um fenômeno caracterizado pelo
desejo de permanecer continuamente conectado com o que os outros estão fazendo,
descobrindo coisas novas e desejando copiá-las.
As experiências de terceiros, nem
sempre reais, geram no espectador um sentimento de ansiedade, inquietação e
medo de perder um evento, resultando numa sensação de insatisfação com a
própria vida pessoal.
— O conceito de que o FOMO
implica um efeito negativo, devido as necessidades sociais insatisfeitas, é
semelhante às teorias sobre as consequências emocionais negativas do ostracismo
social — explica o especialista Aditya Sharma, neurocientista do Departamento
de Neurociência da Universidade de Pittsburgh, que se dedicou a desvendar esse
fenômeno contemporâneo.
— O FOMO é um fenômeno
psicológico relativamente novo. Pode existir como um sentimento episódico que
ocorre no meio de uma conversa, como uma disposição a longo prazo ou um estado
mental que leva o indivíduo a perceber um sentimento mais profundo de
inferioridade social, solidão ou raiva intensa. Mais do que nunca, as pessoas
estão expostas a muitos detalhes sobre o que acontece com os outros e enfrentam
a contínua incerteza sobre se estão fazendo o suficiente — afirma o
neurocientista.
Como sentimos que estamos perdendo algo bom?
— Em primeiro lugar, há a percepção de estar perdendo algo, seguida de um comportamento compulsivo para manter essas conexões sociais. O aspecto social do FOMO poderia ser colocado como uma relação que se refere à necessidade de pertencimento e à formação de relações interpessoais fortes e estáveis. Por outro lado, esse fenômeno é considerado um tipo de apego problemático às redes sociais e está associado a uma variedade de experiências e sentimentos negativos de vida, como falta de sono, redução da capacidade para a vida, tensão emocional, efeitos no bem-estar físico, ansiedade e falta de controle emocional.
É um círculo vicioso: entro nas redes sociais para
disfarçar minha ansiedade, mas piora
— De fato, as redes proporcionam
um meio compensatório para que pessoas com ansiedade abordem suas necessidades
sociais insatisfeitas de uma maneira diferente da comunicação cara a cara. A
utilização dessas plataformas pretende contribuir para facilitar a comunicação
de quem tem déficits, compensando a sua falta de ligação com muito menos
esforço e de forma instantânea. No entanto, essa 'compensação social' pode ser
problemática quando reforça a evitação do encontro e, consequentemente, aumenta
a ansiedade — afirma.
— O FOMO também está associado ao uso problemático das redes devido ao fácil acesso, permitindo que, principalmente os adolescentes, interajam à vontade e sintam a necessidade constante de validação pessoal.
Quando se anseia demais
O mundo digital está apenas emergindo nos espaços
científicos. Especialistas em neurologia e saúde mental começam a emitir os
primeiros documentos sobre experiências que se reconhecem em si mesmos, em
amigos ou dentro da família, mas que ainda não têm qualificação médica para
serem tratadas.
Nesse sentido, a Sociedade
Espanhola de Psiquiatria e Saúde Mental (Sepsm) emitiu um relatório revelando
que 69% dos jovens espanhóis, entre 18 e 34 anos, confessam sofrer de FOMO.
Enquanto 56% temem perder eventos, notícias e atualizações importantes, caso
não estejam conectados às redes sociais. Além disso, 69%acreditam que perdem
eventos essenciais se não verificarem a internet.
Já uma pesquisa realizada pela
StrategyTravel concluiu que 60% dos jovens adultos fazem compras baseadas no
FOMO. A revista Strategy, então, informou que 59% das festas e eventos, e 29%
das visualizações de alimentos estão entre as coisas mais comuns que causam
FOMO. Com isso, de acordo com o estudo da TD Ameritrade, 73% dos jovens gastam
dinheiro que não têm para evitar sentir que estavam perdendo algo.
— Os humanos desejam sentir-se incluídos. Somos gregários e queremos pertencer a um grupo. Quando isso acontece, há uma implicação de aprovação por parte dos outros e isso nos faz sentir melhor conosco. Fazer o que os outros fazem ou dizem que fazem de acordo com suas redes sociais, pode ativar o sistema de recompensa no nosso cérebro, mesmo que a atividade não seja realizada.
Existem sinais de alerta de que você sofre de FOMO?
— Quando não é possível sentir-se feliz pelos outros ou, pelo menos, indiferente, e surge a preocupação ao ver que eles estão desfrutando de atividades sem nós. Além disso, quando por obrigações familiares ou de trabalho não se pode fazer parte dos planos sociais, é preciso entender que se está diante de um alerta. O mesmo ocorre se há a necessidade de publicar constantemente nas redes sociais tudo o que se está fazendo, especialmente as coisas positivas, e evitar mostrar os tropeços por medo de sentir-se pouco importante no mundo digital.
Mas nem tudo acontece nas redes sociais, certo?
— Claramente não, porque qualquer coisa que faça uma pessoa se sentir excluída pode ser uma causa potencial de FOMO. No entanto, as redes sociais nos permite ter acesso ao que todo mundo faz. Isso nem sempre aconteceu: nossos colegas de trabalho tinham atividades nos fins de semana, mas, com sorte, ficávamos sabendo de algumas só na segunda-feira. Agora, está tudo ali: a superexposição gera superexpectativa. A oferta é infinita e a angústia pode não ser bem administrada. Quando vemos publicações que nos deixam felizes nas redes sociais, aumenta a dopamina no cérebro, ativando seu sistema de recompensa, o que implica buscar isso repetidamente. Mas, ao mesmo tempo, você vê outros se divertindo, enquanto alguém é marginalizado.— Passar mais de duas horas por
dia nas redes sociais demonstrou um risco significativamente maior de
tendências suicidas. O FOMO, por sua vez, pode ter um papel mediador entre o
narcisismo e o uso problemático das redes, sugerindo que as necessidades de
relacionamento social insatisfeitas causam uma alta participação em seu consumo
negativo. Também tem sido associado a consequências ligadas ao álcool, seja por
um maior consumo ou disposição para participar em comportamentos de risco. É
provável que adolescentes com FOMO experimentem drogas e álcool se essa for uma
condição para se encaixar com seus amigos.
O que pode nos dizer sobre dificuldades com o sono?
— Em um estudo chinês com estudantes universitários, encontrou-se que o afeto negativo – que é uma dimensão de angústia subjetiva que inclui uma variedade de estados de humor aversivos, como raiva, desprezo, desgosto, culpa, medo e nervosismo – está relacionado com a falta de sono mediada pelo FOMO. Já em um estudo universitário israelense, que mediu o uso de smartphones durante a noite, verificou-se que os jovens tinham risco de reduzir a qualidade do sono e da saúde psicológica. Uma pesquisa com 101 adolescentes relacionou a preocupação antes de dormir e o FOMO com uma maior latência para adormecer e uma duração reduzida do sono.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
ÉTICA NA EDUCAÇÃO: FAZ TODA A DIFERENÇA!!
- A ética, de um modo geral, é conceituada com uma teoria ou ciência que versa sobre o comportamento do homem diante da sociedade, ou seja, os interesses individuais de cada pessoa precisam estar em consonância com os interesses da coletividade. Agir com ética supõe agir mediante a observação de princípios que visem o bem comum. Desta forma, os atos humanos, quando éticos, devem observar a coletividade, considerando que viver em sociedade requer a observação de regras básicas de convivência.
A ética na atuação profissional do professor:
Para o professor, a questão da ética ganha uma atenção especial, tendo em vista seu lugar de excelência como formador das futuras gerações. Este profissional tem o poder de inspirar comportamentos, pois é modelo e referência para seus alunos. Diante da responsabilidade social no exercício da profissão, o professor necessita observar determinadas ações no cotidiano da escola, na relação com seus pares, com seus alunos e com as famílias, entendendo que a ética se materializa no aprendizado e no exercício constante de práticas que perseguem a justiça social.O Estatuto da Criança e do Adolescente, LEI Nº 8.069, de 13 de julho de 1990, Art. 53 fala que a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. Sendo assim, o professor precisa trabalhar e empenhar-se para que isso ocorra. Seja em suas atitudes docentes, nas relações com os educandos, na postura do professor em sala, no chamar a atenção nas conversas, no relacionamento com os profissionais da escola ou na forma como se comporta na sociedade, a ética se faz presente como algo muito fundamental. O que é ética afinal?
Cortella (2010, pg.106) nos apresenta a seguinte definição:
Com o corpo docente ou a gestão, seu relacionamento deve acontecer de forma singela e colaborativa, pois ambos estão traçando objetivos para caminhos que os levarão a um só objetivo, a uma educação de qualidade, a uma aprendizagem significativa e ao crescimento de seus educandos. Ainda precisamos observar que é preciso tomar certos cuidados, principalmente, na sala dos professores nos intervalos, nos momentos de estudos e, é claro, na sua vida individual, dentre, os quais se podem relacionar:
- Comentário de ordem pessoal ou profissional negativa de outro docente ou de um educando;
- Falar mal da instituição fora do espaço de trabalho depreciando a direção, coordenação e outros;
- Se isolar em sua sala não permitindo que alguém lhe forneça sugestões para melhorar sua prática e não preste auxílio a um colega quando este necessita;
- Ano após ano em sala, adquirindo experiência, se autoavalia como o “super professor”, pensando que sabe tudo, fechando-se, assim, para o aprendizado que acontece do educando para ele.
Como é possível um professor permanecer na educação, no trato com os educandos quando se está nesse cargo porque não tem outra profissão ou simplesmente esperando a aposentadoria? O professor precisa acreditar na educação e ter convicção de que ela pode mudar a sociedade. Tem papel fundamental, ele influencia na maneira de pensar e agir dos educandos.
“- Me da um abraço? Pediu o professor. – O que? Não deu nem tempo. O professor me abraçou. Não lembrava de um abraço. Constrangido, bem desajeitado, dei um abraço. Ou melhor recebi um abraço.”
Os educandos têm direito a ter uma educação prazerosa e de qualidade. É fundamental que o professor cumpra as regras e normas da nossa educação. Para que a educação se torne com sabor e alcance seus objetivos, não dá para se pensar em apenas ensinar o conteúdo de determinada matéria, mas é necessário investir no educando para que ele se desenvolva, tornando-se crítico diante do que vê e lê, um questionador, sendo autor da sua própria história, saindo da plateia e indo ao palco. Cury (2003, pg. 66) em suas sábias palavras afirma que:
“É estimular o aluno a pensar antes de reagir, a não ter medo do medo, a ser líder de si mesmo, autor da sua própria história, a saber filtrar os estímulos estressantes e a trabalhar não apenas com fatos lógicos e problemas concretos, mas também com as contradições da vida”.
Com certeza, os professores comprometidos com a ética, influenciam eticamente seus educandos, dando sua contribuição na transformação da sociedade. Sabemos que isso se constata em longo prazo, mas com certeza no tempo presente influenciam a mudança de pensamento, de atitude, ou seja, a vida de seus educandos. Dessa forma, constrói-se uma escola compromissada com saberes profundos, onde as experiências são dinamizadas coletivamente entre cidadãos vindos do seu próprio processo de construção, que assumam sua postura diante da vida, e que escolham sempre o melhor para sua vida e para a sociedade. Uma escola capaz de olhar o educando em um todo, acolhê-los, propondo assim um crescimento e desenvolvimento em todas suas dimensões, permite que se tenha uma educação com tempero, preocupada com o desenvolvimento completo de crianças e jovens, provocando, desse modo, uma grande mudança no futuro da sociedade.
