quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Tolerância: uma coisa que está em falta nos dias de hoje!!



É necessário sempre  falar de tolerância, de saber compreender o outro por suas falhas e seus acertos. O munto está precisando disso, nós estamos precisando disso. A convivência estre os seres humanos pode ser muito difícil, mas não é nada impossível também. Com um pouco de compreensão tudo acaba ficando mais fácil. Compreender como as pessoas são e aceitá-las pode fazer com que você encontre a paz que tanto procura. Todo relacionamento para dar certo tem que ter tolerância de ambas as partes. Um aceitando o jeito de ser do outro, isso em qualquer tipo de relacionamento seja ele entre amigos ou amoroso. Nós temos a capacidade de sermos flexíveis basta querer e se adequar com a diferença do outro. Isto vai te ajudar a ser mais feliz, além de ser uma atitude positiva. Ser tolerante não quer dizer ser submissa (que é outra coisa completamente diferente) e nem ser indiferente à realidade das coisas. Ser tolerante é ser maleável e aceitar com calma alguma situações a qual não podemos mudar e também é saber lidar com estas mesmas situações. Devemos nos adaptar a estas situações e também às pessoas e ao mundo como um todo, mas sem perder a alegria e o contentamento. Para se ter um relacionamento saudável, duradouro, cheio de paz, no qual o crescimento é mútuo, a tolerância é a mais virtude para que isso aconteça. Mas para que isso aconteça é preciso compreender este relacionamento e entender que ninguém é perfeito e que não se encontra em ninguém todas as virtudes que esperamos encontrar em uma pessoa. Todos nós temos nossas virtudes e os nossos defeitos. É importe saber que ninguém é 100% perfeito. Saber reconhecer estes fatos já é um grande passo. Nassa vida é cheia de desafios e saber compreender o outro é um deles. Passamos a boa parte da nossa vida tentando encontrar uma pessoa perfeita, só que ela não existe. Aquele príncipe e aquela princesa encantados que conhecemos dos contos de fadas não existe. O que existe são seres humanos que erram muito, mas também, acertam algumas vezes. Precisa-se trabalhar muito para mudar alguma coisa em nossa vida para sermos mais tolerantes. Quando não gostamos de alguma coisa em alguém, só vemos o lado dela. Não damos conta de que nós também podemos estar fazendo alguma coisa que possa estar desagradando a outra pessoa. Temos a mania de olhar só para o defeito do outro e esquecemos dos nossos, que também não são poucos. 
landscape-1444023_1280.jpg
Quando praticamos a tolerância tudo fica mais harmonioso, mas alegre e feliz. Aceitando o outro como ele é com todos os seus defeitos e suas qualidades. Não aja como se só um precisasse mudar. Não basta só um mudar, você também tem que fazer a sua parte e mudar as suas atitudes também. Só assim vai conseguir ter mais harmonia. Já parou para pensar a outra pessoa possa ter o mesmo pensamento que você? Querer mudar uma pessoa não vai resolver os seus problemas, não vai te trazer a felicidade plena. Se um mudar pode ser confortável para você e para quem está com você? Será que ele está feliz com as suas atitudes? Diminuir as nossas expectativas em relação às pessoas pode ser a solução. Quando não esperamos nada delas não iremos nos frustrar. Em qualquer relacionamento temos que ser aquilo que somos e aceitar o outro assim como ele é. Ninguém é perfeito. Fuja daquilo que vai te trazer sofrimento, aceite as pessoas como elas são. Tolerância é “agir com condescendência e aceitação perante algo que não se quer ou que não se pode impedir.” Ela significa suportar ou aceitar. Esta vivendo a era da intolerância. É intolerância de gêneros, religioso, enfim como quase tudo que nos ronda e faz parte do nosso cotidiano. Você ser a favor ou contra é uma coisa, agora desrespeitar um ser ser humano por ele ser de outra religião ou gostar de pessoas do mesmo sexo, isso é muito cruel. Vamos praticar mais a tolerância e viver em paz. O mundo todo está cansado com tantas barbaridades que estão acontecendo.



quinta-feira, 21 de junho de 2018

Discurso Indireto: Depressão em adolescentes

Discurso Indireto: Depressão em adolescentes: Quem acompanha diariamente o cotidiano de adolescentes/jovens, no geral sabe perfeitamente identificar qualquer mudança em seu agir. ...

Depressão em adolescentes

Resultado de imagem para adolescentes em depressão


Quem acompanha diariamente o cotidiano de adolescentes/jovens, no geral sabe perfeitamente identificar qualquer mudança em seu agir. Sabemos que nos dias atuais um grande índice de crianças,adolescentes e jovens, vem enfrentando situações em seu interior e que a qualquer momento uma "explosão" virá a tona. Em outra ocasião, escrevi aqui sobre a "Geração Ritalina". A qualquer "inquietação" por parte da criança/adolescente, dá-lhe, Ritalina...Mas, algo, muito mais grave está em nosso meio assombrando nossos futuros adultos: a depressão. E, precisamos ficar atentos pois os sintomas de tal em adolescentes é difícil de se identificar. Uma das coisas que pode tornar a depressão tão difícil de identificar é que os sintomas podem ser coisas que todos nós sofremos de tempos em tempos – tristeza, desesperança, letargia, indisposição. Quando essas experiências humanas muito normais acontecem em uma combinação, duração ou intensidade que começam a interferir na vida cotidiana (escola, relacionamentos), é possível que o adolescente esteja se deprimindo. Durante a adolescência, as taxas de depressão disparam. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é a principal causa de doenças em adolescentes. E tem mais: a pesquisa mostra que em metade dos adultos que têm problemas com sua saúde mental, seus sintomas apareceram antes dos 14 anos, três quartos tinham sintomas aos 24 anos. Isto coloca holofotes sobre a importância de perceber se os nossos adolescentes estão lutando contra a depressão e certificar-nos  de que eles recebem o apoio que precisam. Quanto antes identificarmos os sintomas, mais rápido impediremos que esses sintomas  avancem para algo maior e mais difícil de mudar. Para um diagnóstico de depressão, um grupo particular de sintomas precisa ter estado lá pelo menos por duas semanas. Estes sintomas devem incluir pelo menos humor deprimido, ou uma perda de interesse ou prazer em coisas que antes eram agradáveis. Muitas vezes estes serão apenas uma parte normal da adolescência e nada a se preocupar, mas se a depressão está acontecendo, haverá outros sinais reveladores. A depressão é uma doença física, por isso às vezes os sintomas aparecerão fisicamente. Cuidado com dores de cabeça inexplicáveis e enxaqueca, dores de estômago, dor nas costas e dores nas articulações. O humor e a dor compartilham os mesmos caminhos no cérebro e são regulados pelos mesmos produtos químicos do cérebro (serotonina e norepinefrina). Quando esses neuroquímicos estão desequilibrados, a dor e o humor podem ser afetados.A desesperança, desamparo e baixa auto-estima que vêm com depressão podem fazer adolescentes  desistir da escola, amizades ou outras coisas que são importantes para eles. A depressão pode acelerar o movimento (inquietação, agitação, estimulação, com pernas agitadas ou mãos se apertando), ou então pode retardar o movimento e a fala. A depressão é mais do que tristeza. É uma incapacidade de sentir alegria. Isso é confuso e assustador para qualquer um sentir, e como uma maneira de encontrar alívio com isso, ou para se distrair de sua dor, os adolescentes podem recorrer a todos os tipos de comportamentos arriscados ou viciantes. Eles podem ser levados a fazer mais do que os fez se sentir bem antes, ou qualquer coisa que os ajudem a sentir algo. Isso pode ser beber, se drogar, jogar excessivamente, comer excessivamente ou se auto-mutilar. Quando a dor emocional parece muito grande ou quando ela pára de fazer sentido, auto-prejudicar pode ser uma maneira de encontrar um curto, mas necessário, alívio do peso que vem com a depressão. Adolescentes não fazem isso para manipular ou para controlar as pessoas ao seu redor – eles desejam que eles pudessem parar também. Eles fazem isso para fazer a dor desaparecer. A adolescência é um período de grandes mudanças, que podem ser confusas para os adolescentes e as pessoas que os amam. Adicionando à confusão e ao comportamento “normal” de adolescente, os sinais de uma problemas na saúde mental pode parecer a mesma coisa. Mudanças nos padrões de sono e alimentação, mau humor, afastamento da família, irritabilidade – podem ser uma parte muito normal da adolescência, ou podem ser sintomas de depressão. É importante deixar o adolescente se afastar quando precisar. O impulso para a independência da família e dos pais é uma parte muito importante da adolescência, mas também é importante permanecer gentilmente curioso, vigilante e disponível. Quanto mais notarmos quando aqueles que amamos estão lutando, ou quanto mais ouvimos os sussurros do coração quando algo não está certo, mais capacitados estamos a responder de uma maneira que pode curar e fortalecer.


Fonte: Artigos e livros do Dr. Dráusio Varella.          Artigos Acadêmicos sobre Depressão em Adolescentes.


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Transtornos psicológicos afastam professores da sala de aula.




A Educação, sob o ponto de vista individual e pessoal, é a formação e o aperfeiçoamento do ser humano. Sob o ponto de vista social, é a integração das novas gerações na sociedade, isto é, a transmissão às novas gerações, pelas gerações adultas, da herança social. Educar é formar a pessoa de acordo com um ideal de perfeição. Assim, consideremos como sendo a Educação o processo de edificação intelectual e afetiva, ou seja, a assimilação dos hábitos e valores que favorecem uma formação social que visam o Bem comum.
O Bem é tudo o que possui um valor moral ou físico positivo, constituindo o objeto ou o fim da ação humana. Para Aristóteles, o Bem é “aquilo a que todos os seres aspiram”; Também disse: “o Bem é desejável, quando ele interessa a um indivíduo isolado, mas seu caráter é mais belo e mais divino quando se aplica a um povo e a estados inteiros”.
Portanto, a Educação é a inserção social do jovem no mundo, dentro de alguns princípios fundamentais, para que seja capaz de viver e conviver com dignidade, cumprir as regras morais que foram culturalmente e tradicionalmente assimiladas pela sociedade e ser capaz de fazer reflexões éticas, inclusive sobre as próprias regras morais, através de sua capacidade de individualização. Além disso, o indivíduo deve ser capaz de se apropriar de certos conhecimentos, para criar as condições cognitivas e afetivas visando à sua autonomia, com o objetivo de acessar o mundo do trabalho e assim garantir sua própria subsistência.
Educação não é o mesmo que instrução. A Educação tem um sentido mais holístico, contempla a formação humana como um todo. Já a instrução é o ensino ou a capacitação para o exercício de funções específicas. Educação é dever do Estado e da família, mas principalmente da família.
No entanto, na configuração de mundo em voga, muitas famílias não possuem as condições materiais, intelectuais e afetivas para esse compromisso. Essas famílias são vítimas de um modelo histórico de exclusão social, que produziu a desigualdade em todos os sentidos,  daqueles que são submetidos à violência e à dominação vigentes e que jamais podem entrar em justas relações que fizessem reconstruir o sentido bom do poder.
Diante dessa realidade cruel, cabe ao Estado assumir a responsabilidade educativa. Essa responsabilização do Estado está na Escola e mais diretamente centrada na figura do Professor que tem que arcar com todo ônus da ineficiência de uma instituição destruída (a família), provocado pelo histórico descaso estatal e um modelo político e econômico excludente, selvagem e elitista.
Os professores de Escolas Públicas estão muito mais vulneráveis a esse tipo de problema, devido às suas características peculiares: a Escola Pública é plural, universalizada, composta por uma clientela bastante heterogênea quanto à condição econômica, social e cultural. Grande parte das crianças e adolescentes que estão matriculadas nas Escolas Públicas é oriunda de famílias que não estão devidamente preparadas para a função educativa. O resultado dessa realidade reflete na Escola e, mais especificamente, no trabalho do professor.
O desinteresse dos alunos pelos estudos, aumento dos casos de indisciplina, violência e atos infracionais nas escolas afetam drasticamente o lado psicológico dos educadores. Além disso, todos reclamam da remuneração e das condições de trabalho, principalmente a carga excessiva de trabalho e a indisciplina. Estas e outras são as principais causas de angústia e fobia que produzem problemas psicológicos graves, entre outras doenças que fazem com que o professor se afaste da sala de aula.
"O número de professores afastados por transtornos mentais ou comportamentais nas escolas estaduais de São Paulo quase dobrou em 2016 em relação a 2015: foi de 25.849 para 50.046. Segundo dados obtidos por um veículo de comunicação nacional,  por meio da lei de acesso à informação, até setembro de 2017, 27.082 professores se afastaram. O número de 50 mil afastados em 2016 representa 37% do total das licenças médicas pelas mais diversas causas." 
A principal causa de afastamento são transtornos mentais e comportamentais, responsáveis por 27,8% dos casos. 
Além das licenças de saúde, existem as faltas abonadas, justificadas, injustificadas e faltas médicas que engrossam o número de ausências do professor na sala de aula.
Os professores estão doentes tanto quanto está a Educação no Brasil dos mais humildes. Eles não conseguem desenvolver o seu trabalho plenamente, pois em uma sala de aula com 40 alunos, geralmente, apenas 10 deles (no máximo) têm algum tipo de interesse em estudar efetivamente. Os demais estão ali contra sua própria vontade e o resultado são os baixos rendimentos revelados nas avaliações em larga escala. O professor é injustamente responsabilizado pelos fracassos na aprendizagem.
Esse aluno também é vítima desse sistema perverso e mais vítima ainda é o professor que se expõe a situações desconfortáveis como, por exemplo, a humilhação, xingamentos, desrespeito. Está muito difícil corrigir um aluno que não traz consigo nenhum pré-requisito mínimo para a convivência social e o respeito pelos educadores.
Neste contexto, alguns sistemas de ensino preferem tomar medidas que atacam o efeito e não a causa, punindo os professores. No estado de São Paulo, supostamente com o objetivo de diminuir a quantidade de licenças saúde, o servidor ficará sem o pagamento até que a licença seja publicada no Diário Oficial, ou seja, as ausências no período compreendido entre o protocolo de licença e a decisão final devem ser consideradas como falta injustificada. O problema é que, após a perícia médica, o servidor deverá aguardar a publicação da mesma para receber o pagamento, caso a licença seja favorável.
Se existem bons e maus professores, também existem bons e maus governos, bons e maus representantes, bons e maus médicos... Ser professor é uma vocação, como deveria ser qualquer profissão, em sua base. Somente quem é professor sabe o quanto é difícil sê-lo nas condições sociais em voga, principalmente aqueles que trabalham em locais adversos, reféns da violência institucionalizada, sem as mínimas condições de segurança e de trabalho, tentando ensinar algo àqueles que não querem aprender nem o mínimo que está definido pelo sistema.
Ser professor se tornou uma escolha de poucos. Os baixos salários, a excessiva carga horária de trabalho, a desvalorização social e a falta de plano de carreira afastam as novas gerações da profissão. As salas de aulas superlotadas dificultam o trabalho. O profissional da educação básica cumpre com muitas atividades fora da sala de aula: tem que ler, estudar, manter-se informado, preparar boas aulas, corrigir provas e atividades. Então, uma carga horária de 40 horas semanais, de fato, torna-se até 60 horas com as atividades realizadas fora da sala de aula.
O professor está doente pelo mal-estar provocado pelo sentimento de opressão, seja de inquietude relativa a um futuro incerto, ao medo de ser a qualquer momento agredido e pelas incertezas de um presente ambíguo. É dominado pela inquietude, pela ansiedade, pela agitação, pelas fobias e por um sentimento confuso de impotência diante de suas limitações e um perigo eventual. Por isso, o Estado precisa repensar a suas políticas públicas, valorizar e apoiar mais um profissional tão importante para o futuro do país. Uma sociedade não é um mero conjunto de indivíduos vivendo juntos, em um determinado lugar, mas define-se essencialmente pela existência de uma organização, de pessoas que cumprem os seus deveres, se respeitam mutuamente, são capazes de ganhar sua própria subsistência com dignidade, que têm valores morais e uma atitude ética acima de tudo. E esses valores são construídos junto com o Professor.

(Fontes: Portal G1. 21/11/2017. Tese de Mestrado defendida por Ielva Bentes Galdino pela Universidade Federal de Juiz de Fora.)



segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A geração da Ritalina

Em um lugar muito gostoso, repleto de crianças brincando com suas famílias deparei com uma menininha de cinco anos se aproximou de mim e começou a conversar. Linda a criança!! Ela era ativa, falante, cheia de ideias mirabolantes; logo atrás vinha o pai, que parou para falar alguns minutos comigo.
Quando elogiei a vivacidade da filha, ele começou imediatamente a se desculpar. Disse que a filha era ativa até demais e sofria bastante com ansiedade e hiperatividade. “Mas está tudo sob controle, já começamos o acompanhamento médico e em breve ela começará a ser medicada”. Confesso que imediatamente um alarme soou em minha cabeça.
Imagem: Creative Commons
Claro que eu não estou aqui para julgar o caso daquela menina, nem um outro qualquer. Simplesmente porque não sou médica, psicóloga ou tenho formação que me permita fazer um correto diagnóstico. Mas a situação chamou minha atenção – talvez porque aquela menininha parecesse perfeitamente normal aos meus olhos. Ou porque nos últimos tempos, em quase todos os ambientes que ela frequenta, exista uma história parecida. Afinal, por que na geração de nossos filhos tantas crianças são diagnosticadas com hiperatividade? Por que inúmeras necessitariam de medicamentos para moldar seu comportamento aos padrões estabelecidos pela sociedade?
Por favor, se seu filho tem o diagnóstico, está sendo medicado e seu coração de mãe está confiante de que é o melhor a ser feito, simplesmente saiba que esse post não foi feito para você. A última coisa que desejo é colocar um peso adicional sobre sua decisão (porque eu também sei que em alguns casos, diagnosticados acertadamente, medicamentos como a ritalina são extremamente benéficos para a criança com TDAH – transtorno do déficit de atenção e hiperatividade – e modificam positivamente a dinâmica de toda a família).
Por outro lado, se você não está 100% segura, fica um alerta, porque algo me diz que não é possível que sejam tantas as crianças da geração de nossos filhos que de fato precisem ser medicadas. Para mim, enfrentamos um grande dilema de educação – por um lado, abrimos muito mais espaço para nossas crianças se expressarem do que tivemos em nossa infância; por outro, precisamos entender que essa liberdade exige dos pais atenção redobrada no estabelecimento de limites, para que o filho não se perca no meio do caminho.
E já que comecei a falar, vou um pouco mais além: acredito que, para muitas escolas, seja mais fácil recomendar a um pai que leve seu filho ao psiquiatra do que chamá-lo incontáveis vezes para avaliar de que outra forma essa criança pode ser ajudada. Acredito que, ao invés de agressivas ou hiperativas, algumas crianças sofram de um déficit de sono muito grande (claro – quando a criança passa alguns dias dormindo mal, ela se transforma em outra criança), porque lhes falta um adulto com pulso firme para dizer que já é hora de ir para a cama, mesmo que ela não queira. E, por fim, acredito que exista gente ganhando muito dinheiro para fazer pais bem intencionados acreditarem que precisam medicar seu filho para o resto da vida.
Uma pesquisa realizada pela USP e publicada em julho passado, mostra que tal medicamento vem sendo utilizado por vários estudantes do curso de medicina. Vem sendo conhecido por "Rebite Universitário."
Pode ser apenas minha impressão, mas… Pode ser que valha a pena refletirmos sobre o assunto.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A Desvalorização do Professor na sociedade brasileira atual.


Após ler sobre o quanto os youtubers brasileiros vem "faturando" ao fazer caras e bocas, piadas sem graças, paródias de músicas, etc., resolvi escrever sobre a situação atual da classe profissional a qual estou inserida: Professor. Isso nos leva a refletir sobre tal situação... Um professor licenciado, leva muito tempo para se graduar; leva muito tempo para se especializar; e os estudos não param. São cursos de capacitação e a tarefa de se manter atualizado diariamente. Ser professor hoje, não é estar apto a atuar em só uma área, mas em diversas áreas do saber.  No mundo atual onde as ferramentas voltadas para tecnologia estão a cada dia mais nas mãos de crianças e jovens, precisamos fazer uso dos mais variados recursos didáticos ao ministrar uma aula e dessa forma, levarmos ao aluno o verdadeiro objetivo da escola: o ensino-aprendizagem. 

Um breve histórico dessa situação atual do Professor, faremos a seguir...

Desde que o mundo é mundo temos em nosso meio uma célebre frase: “no meu tempo as coisas eram bem melhores…”. Com certeza ela vem carregada de fortes ingredientes saudosistas e alguns outros de desconhecimento histórico. Quando se fala do professor, essa frase tem um peso ainda maior. Aqueles que hoje ultrapassaram os 40 ou 50 anos de idade e tiveram a oportunidade de estudar são os mais enfáticos nessa afirmação. Todavia, precisamos ter cuidado com as comparações, porque a história mostra claramente os motivos que levaram nossa sociedade a descaracterizar tão rapidamente o professor.
Não podemos nos esquecer que até os anos 60 do século passado, estudar era um privilégio de poucos. Menos de 30% das crianças tinham acesso aos estudos. Isso no chamado primário, pois para seguir existia o exame de admissão – uma espécie de “bloqueador” da continuidade – que só foi abolido nos anos finais daquela década. Privilégio que o Estado garantia para suas classes mais abastadas ou com maior capacidade de acesso por outros motivos, inclusive de localização territorial. Um dado que pode demonstrar isso é o de que quando da universalização do ensino fundamental, em 30 anos (1975-2005) o número de matrículas no norte do país aumentou de 780 mil alunos para 3.350.000, enquanto no sul do país a evolução foi de 3.590.000 para 4.228.000, ou seja, enquanto no primeiro foi da ordem de 329%, no segundo foi de 17%.
A universalização do ensino fundamental iniciada no final dos anos 70 do século passado e alcançada no ano 2000 foi acompanhada de uma série de outros fatores que levaram a profissão de professor perder seu valor social e econômico. Os investimentos em estrutura física não foram acompanhados por investimentos em pessoas. Pelo contrário, o grande aumento na oferta de vagas foi acompanhado pela admissão de profissionais com titulação inadequada para executar a profissão de professor, barateando o valor do trabalho. Isso trouxe outro fenômeno: a necessidade de “agilizar” a formação dos professores acabou trazendo para nossa realidade “cursos rápidos” de formação de professores que diminuíram e muito a qualidade dessa formação. Até bem pouco atrás tempo tínhamos cursos ditos universitários para professores com duração de dois anos. Isso porque até 1997 mais de 50% dos profissionais da educação só tinham o ensino médio completo. E, assistimos agora, com a reforma do Ensino Médio, o retorno desses profissionais não licenciados para aturarem novamente em sala de aula. Mas, porque? Sabemos que os cursos de licenciatura não vem atraindo mais alunos no meio universitários há décadas. 
O declínio é perceptível em todos os níveis de formação das licenciaturas: desde a quantidade de matrículas e concluintes até as altas taxas de evasão, tanto na rede pública quanto na particular. O crescente desinteresse pela docência vai além da queda no número de matrículas: mesmo entre os que se formam, são poucos os que realmente desejam seguir carreira em sala de aula. Geralmente menos concorridas, as licenciaturas podem servir como porta de entrada na universidade para quem deseja, eventualmente, pedir transferência para outro curso.

 Dentro do contexto histórico o fenômeno do trabalho feminino ganhava força no país. E essa “força de trabalho emergente” na procura por seu espaço laboral, sujeitava-se a remunerações muito abaixo das dos homens. Não só na educação, mas principalmente nela isso foi determinante para as estratificações salariais observáveis no magistério em nosso país. Explicando: o maior contingente de professoras mulheres está na educação infantil e no ensino fundamental, onde os salários são os mais baixos do país e onde a demanda de educandos é infinitamente maior. Quando avançamos na hierarquia formativa, observamos uma inversão nesse quadro. No ensino médio existe quase que uma paridade entre homens e mulheres e no ensino superior, onde os salários são convidativos, a predominância de homens é significativa.
Portanto, a desvalorização do profissional da educação não aconteceu por acaso no Brasil. Hoje temos cerca de 2,3 milhões de professores espalhados por este país vivendo realidades as mais variadas. Só numa coisa eles têm uniformidade: sua desvalorização. É aviltante acompanharmos o atual debate do piso salarial dos professores onde diversos Estados e municípios não querem praticá-lo. Nosso Estado de Goiás é um destes.  Está mais do que na hora de o governo federal aumentar sua participação nos investimentos da educação básica.  Está mais do que na hora de se rever a Lei de Responsabilidade Fiscal no que tange a folha de pagamento da educação, já que a mesma é um fator inibidor para as esferas públicas investirem mais nos salários. Mas, pelo que está sendo proposto pelo governo atualmente, não é bem isso que acontecerá...
Concluo dizendo que hoje o maior desafio para nossa educação é a formação e a valorização do  professor. Se não for resolvida essa equação, não teremos muitas perspectivas no campo educacional. E isso não se dá com discurso. Só existe uma forma disso ser conquistado: investimentos maciços no sistema educacional brasileiro. Só assim poderemos ter além da universalização das vagas, professores reconhecidos e capacitados para sua profissão.

Resultado de imagem para desvalorização do professor

Resultado de imagem para yutubers


segunda-feira, 27 de junho de 2016

TDH/DDA em crianças/adolescentes.


Postei  aqui em 27 de maio de 2014, matéria excelente sobre o TDAH. Hoje, volto a postar  sobre o  tema pois como professora do Ensino Fundamental, venho observando o quanto este, está crescente entre nossos alunos e o quanto é importante o profissional da educação estar preparado para lidar com as diversidades em sala de aula e dessa forma, "alertar" a família para buscar o tratamento adequado para seu filho(a)...
  
  • O TDAH (DDA) não é um distúrbio passageiro, temporário, a ser superado, uma vez que é neurobiológico e não o resultado de falta de disciplina ou de controle dos pais, assim como não é falta de força de vontade ou de caráter da criança ou do adolescente como erroneamente muitos adultos pensam ser. A recuperação acontece em cerca apenas 30% dos casos.
  • Algumas crianças com TDAH (DDA) já são difíceis de serem cuidadas antes mesmo dos 3 anos de idade por serem muito ativas, irritáveis, temperamentais, autoritárias, podendo ainda ter distúrbio de sono e/ou alimentar.
  • Outras crianças com TDAH (DDA) não diferem das demais e só são avaliadas e diagnosticadas após o ingresso no período escolar ao apresentar prejuízo no aprendizado e/ou nos relacionamentos com colegas, professores ou pais. Isso porque os 3 sintomas mais marcantes do TDAH (DDA) – a distração, a impulsividade e a grande atividade, num grau mais leve, são comuns nas crianças em geral, daí muitas ficarem sem diagnóstico. Também as do Tipo Desatento podem passar despercebidas nos primeiros anos de vida.
  • Além de distraídos, a criança ou adolescente com TDAH (DDA) tem enorme dificuldade em sustentar a atenção durante muito tempo numa mesma tarefa, sem interrompê-la por inúmeras vezes.
  • Porém. quando motivados ou desafiados por situações inovadoras (televisão, vídeo-game, salas de bate-papo, etc...), eles têm um poder de hiperconcentração, nem se dando conta do que acontece à sua volta.
  • Os hiperativos/impulsivos, são incapazes de planejar, selecionar com antecedência, para depois executar algo. Eles não conseguem controlar, inibir seus impulsos: dificilmente ficam quietos num lugar por muito tempo, podem ser muito falantes, falar sem pensar, sendo muitas vezes inconvenientes, interromper a fala dos outros, jogos, responder a questões antes de serem totalmente formuladas, comer muito, comprar muito, etc.
  • Essa falta de autocontrole pode ser o terror de muitos pais e/ou professores, que sentem-se incapazes de colocar limites caso não conheçam o transtorno e como lidar com ele.
  • Geralmente são desorganizados com seu material escolar, sua mochila, sua mesa, gavetas e principalmente com o planejamento de suas tarefas, estudos, empurrando-os sempre para a última hora (isso quando não deixam de fazê-los). Estão sempre atrasados, lutando contra o tempo.
  • Problemas de memória são freqüentes: esquecem nomes, datas de trabalhos, provas, perdem ou esquecem objetos com facilidade. Como conseqüência vem a preocupação e ansiedade crônicas, por não se sentirem confiáveis.
  • Também têm muita dificuldade em notar, interpretar dicas e regras sociais: sempre querem fazer tudo "do seu jeito, no seu tempo". Isso explica muitas vezes a dificuldade de viver adequadamente em sociedade, seus desencontros nos relacionamentos sociais e pessoais.
  • A criança ou adolescente com TDAH (DDA) não sabe lidar com fracasso, frustração. Estão sempre ansiosos, sentem-se incompreendidos e irritam-se com facilidade.
  • Com a auto-estima fragilizada por tantos rótulos negativos já recebidos, com frequência "chutam o pau da barraca", por serem super reativos e por acharem que já não têm muito a perder.
  • O transtorno gera uma real incapacidade na criança ou no adolescente de controlar sua própria vontade ou comportamento, relacionando-os com a passagem do tempo: muitos são incapazes de ter em mente futuros objetivos e/ou medir as conseqüências negativas de seus atos impulsivos a longo prazo.
  • O TDAH (DDA) erroneamente, muitas vezes é apresentado como distúrbio de aprendizagem, mas na verdade é um distúrbio de realização.
  • Crianças ou adolescentes com TDAH (DDA) sentem-se muito melhor quando após serem diagnosticadas, fazem um tratamento focado, onde os seus problemas e dificuldades são trabalhados e suas qualidades são realçadas e alimentadas, visando sempre a melhoria de sua auto-estima, nunca esquecendo dos limites a serem respeitados. Afinal, geralmente são inteligentes, sensíveis, curiosos, criativos, atrevidos, inventivos, com muita energia, espontaneidade, etc., com necessidade de uma "condução" adequada. (Fonte: Univerdo tdah - Cleide Heloísa Partel)